Configurações de sistema sofisticadas exigem instalações de disco específicas. Todas as tarefas comuns de particionamento podem ser executadas com o YaST. Para obter uma nomeação de dispositivo persistente com dispositivos de bloco, use os dispositivos de bloco abaixo de /dev/disk/by-id ou de /dev/disk/by-uuid. O LVM (Logical Volume Management — Gerenciamento de Volumes Lógicos) é um esquema de particionamento de disco projetado para ser muito mais flexível que o particionamento físico usado nas configurações padrão. Sua funcionalidade de instantâneo permite criar facilmente backups de dados. A RAID (Redundant Array of Independent Disks — Matriz Redundante de Discos Independentes) oferece maior integridade de dados, desempenho e tolerância a falhas. O SUSE Linux Enterprise Server também suporta E/S de múltiplos caminhos (consulte o Chapter 7, Managing Multipath I/O for Devices, Storage Administration Guide para ver os detalhes), e também há a opção de usar iSCSI como um disco em rede (leia mais sobre iSCSI no Chapter 14, Mass Storage over IP Networks: iSCSI, Storage Administration Guide).
Com o particionador técnico, mostrado na Figura 15.1, “Particionador do YaST”, modifique manualmente o particionamento de um ou vários discos rígidos. É possível adicionar, apagar, redimensionar e editar partições, além de acessar a configuração do LVM e o softRAID.
Embora seja possível reparticionar o sistema durante sua execução, o risco de cometer um erro que provoque a perda de dados é muito alto. Tente evitar o reparticionamento de seu sistema instalado e sempre faça um backup completo dos dados antes de tentar fazer isso.
O IBM System z reconhece apenas discos rígidos DASD e SCSI. Os discos rígidos IDE não são suportados. Por isso, esses dispositivos aparecem na tabela de partição como dasda ou sda para o primeiro dispositivo reconhecido.
Todas as partições existentes ou sugeridas em todos os discos rígidos conectados são exibidas na lista de na caixa de diálogo do YaST. Discos rígidos inteiros são listados como dispositivos sem números, como /dev/sda (ou /dev/dasda). As partições são listadas como partes desses dispositivos, como /dev/sda1 (ou /dev/dasda1, respectivamente). O tamanho, tipo, status da criptografia, sistema de arquivos e ponto de montagem dos discos rígidos e suas partições também são exibidos. O ponto de montagem descreve onde a partição aparece na árvore do sistema de arquivos do Linux.
Várias telas funcionais estão disponíveis na à esquerda. Use essas telas para coletar informações sobre as configurações de armazenamento existentes, para configurar funções, como RAID, Gerenciamento de Volumes, Arquivos Crypt, ou para ver sistemas de arquivos com recursos adicionais, como BTRFS, NFS ou TMPFS.
Se a caixa de diálogo de especialista for executada durante a instalação, os espaços livres no disco rígido também serão listados e selecionados automaticamente. Para oferecer mais espaço em disco ao SUSE® Linux Enterprise Server, libere o espaço necessário começando do fim para o início da lista (começando da última partição de um disco rígido em direção à primeira).
Nas plataformas IBM System z, o SUSE Linux Enterprise Server suporta discos rígidos SCSI e DASDs (dispositivos de armazenamento de acesso direto). Embora seja possível particionar os discos SCSI da maneira descrita a seguir, os DASDs não podem ter mais de três entradas de partição em suas tabelas de partições.
Cada disco rígido possui uma tabela de partições com espaço para quatro entradas. Cada entrada da tabela de partições pode corresponder a uma partição primária ou estendida. No entanto, somente uma entrada de partição estendida é permitida.
Uma partição primária consiste simplesmente em uma faixa contínua de cilindros (áreas de disco físico) atribuídas a um determinado sistema operacional. Com as partições primárias, você fica limitado a quatro partições por disco rígido, mais que isso não cabe na tabela de partição. Esta é a razão pela qual partições estendidas são usadas. As partições estendidas também são faixas contínuas dos cilindros de disco, mas a própria partição estendida pode ser dividida em partições lógicas. Partições lógicas não requerem entradas na tabela de partições. Em outras palavras, uma partição estendida é um recipiente para partições lógicas.
Se precisar de mais de quatro partições, crie uma partição estendida como a quarta partição (ou uma partição anterior). Essa partição estendida deve ocupar toda a faixa livre restante do cilindro. Em seguida, crie várias partições lógicas dentro da partição estendida. O número máximo de partições lógicas é 63, independentemente do tipo de disco. Não importa o tipo de partição usada para Linux. As partições primária e lógica funcionam normalmente.
Se você precisa criar mais de 4 partições primárias em um disco rígido, use o tipo de partição GPT. Esse tipo remove a restrição de número de partições primárias e também suporta partições maiores que 2 TB.
Para usar GPT, execute o Particionador do YaST, clique no nome do disco relevante na e escolha › › .
Para criar uma partição do zero, selecione e, em seguida, um disco rígido com espaço livre. A modificação real pode ser feita na guia :
Selecione e especifique o tipo de partição (primário ou estendido). Crie até quatro partições primárias ou até três partições primárias e uma estendida. Dentro da partição estendida, crie várias partições lógicas (consulte a Seção 15.1.1, “Tipos de partição”).
Especifique o tamanho da nova partição. É possível ocupar todo o espaço livre não particionado ou digitar um tamanho personalizado.
Selecione o sistema de arquivos a ser usado e um ponto de montagem. O YaST sugere um ponto de montagem para cada partição criada. Para usar um método de montagem diferente, como montagem por rótulo, selecione . Para obter mais informações sobre os sistemas de arquivos suportados, consulte root.
Especifique opções de sistema de arquivos adicionais se sua configuração exigi-las. Isso será necessário, por exemplo, se você precisar de nomes de dispositivos persistentes. Para obter mais informações sobre as opções disponíveis, consulte a Seção 15.1.3, “Editando uma partição”.
Clique em para aplicar sua configuração de particionamento e sair desse módulo.
Se tiver criado a partição durante a instalação, você retornará à tela de visão geral da instalação.
O sistema de arquivos padrão da partição raiz é o Btrfs (consulte o Chapter 4, System Recovery and Snapshot Management with Snapper, Administration Guide e o Chapter 1, Overview of File Systems in Linux, Storage Administration Guide para obter mais informações sobre Btrfs). O sistema de arquivos raiz é o subvolume padrão e não aparece na lista de subvolumes criados. Sendo um subvolume Btrfs padrão, ele pode ser montado como um sistema de arquivos normal.
É possível criar instantâneos dos subvolumes Btrfs, manualmente ou automaticamente, com base nos eventos do sistema. Por exemplo, ao fazer mudanças no sistema de arquivos, o zypper invoca o comando snapper para criar instantâneos antes e após a mudança. Isso é útil quando você não está satisfeito com a mudança que o zypper fez e deseja restaurar para o estado anterior. Como o snapper invocado pelo zypper por padrão cria instantâneos do sistema de arquivos raiz, convém excluir diretórios específicos da criação de instantâneo, dependendo da natureza de dados que eles contêm. É por essa razão que o YaST sugere criar os seguintes subvolumes separados.
/tmp /var/tmp /var/run
Diretórios com conteúdo frequentemente modificado.
/var/spool
Contém dados de usuários, como e-mails.
/var/log
Contém arquivos de registro do sistema e de aplicativos que nunca devem ser voltados.
/var/crash
Contém dumps de memória dos kernels com falha.
/srv
Contém arquivos de dados que pertencem aos servidores FTP e HTTP.
/opt
Contém software de terceiros.
Como os instantâneos gravados exigem mais espaço em disco, é recomendado reservar mais espaço para a partição Btrfs do que para uma partição que não tenha a funcionalidade de criação de instantâneo (como Ext3). O tamanho recomendado para uma partição raiz Btrfs com subvolumes sugeridos é de 20 GB.
Agora é possível gerenciar subvolumes da partição Btrfs com o módulo do YaST. É possível adicionar novos subvolumes ou remover os existentes.
Inicie o do YaST em › .
Escolha no painel esquerdo .
Selecione a partição Btrfs com os subvolumes que você precisa gerenciar e clique em .
Clique em . Você vê uma lista de todos os subvolumes existentes da partição Btrfs selecionada. Observe um número de entradas @/.snapshots/xyz/snapshot; cada um desses subvolumes pertence a um instantâneo existente.
Dependendo se você deseja adicionar ou remover subvolumes, faça o seguinte:
Para remover um subvolume, selecione-o na lista e clique em .
Para adicionar um novo subvolume, digite o nome dele na caixa de texto e clique em .
Confirme com e .
Saia do particionador clicando em .
Ao criar uma nova partição ou modificar uma partição existente, você pode definir diversos parâmetros. Para novas partições, os parâmetros padrão definidos pelo YaST geralmente são suficientes e não requerem nenhuma modificação. Para editar sua configuração de partição manualmente, faça o seguinte:
Selecione a partição.
Clique em para editar a partição e definir os parâmetros:
Mesmo se você não quiser formatar a partição neste estágio, atribua a ela um ID de sistema de arquivos para garantir que a partição seja registrada corretamente. Os valores comuns são , , e .
Para mudar o sistema de arquivos de partição, clique em e selecione o tipo de sistema de arquivos na lista .
O SUSE Linux Enterprise Server suporta vários tipos de sistemas de arquivos. O Btrfs é o sistema de arquivos preferido do Linux para a partição raiz, por causa de seus recursos avançados. Ele suporta a funcionalidade copy-on-write, a criação de instantâneos, a segmentação de vários dispositivos, subvolumes e outras técnicas úteis. XFS, Ext3 e JFS são sistemas JFS. Esses sistemas de arquivos são capazes de restaurar o sistema muito rapidamente após uma falha, usando os processos de gravação registrados durante a operação. O Ext2 não é um sistema de arquivos de registro em diário, mas é adequado para partições menores, pois ele não requer muito espaço em disco para gerenciamento.
O sistema de arquivos padrão para a partição raiz é o Btrfs. O sistema de arquivos padrão para outras partições é o XFS.
Troca (Swap) é um formato especial que permite usar a partição como uma memória virtual. Crie uma partição de troca (swap) de pelo menos 256 MB. No entanto, se você consumir todo o espaço de troca (swap), convém adicionar mais memória ao sistema, em vez de adicionar mais espaço de troca.
A mudança do sistema de arquivos e a reformatação das partições apagam de forma irreversível todos os dados da partição.
Para ver detalhes sobre os diversos sistemas de arquivos, consulte o Storage Administration Guide (Guia de Administração de Armazenamento).
Se a criptografia for ativada, todos os dados serão gravados no disco rígido de forma criptografada. Aumenta a segurança dos dados confidenciais, mas reduz a velocidade do sistema, já que a criptografia leva algum tempo para processar. Mais informações sobre a criptografia de sistemas de arquivos são fornecidas em Chapter 11, Encrypting Partitions and Files, Security Guide.
Especifique o diretório em que a partição deve ser montada na árvore do sistema de arquivos. Selecione dentre as sugestões do YaST ou digite qualquer outro nome.
Especifique vários parâmetros contidos no arquivo de administração do sistema de arquivos global (/etc/fstab). As configurações padrão devem ser suficientes para a maioria das configurações. Por exemplo, você pode mudar a identificação do sistema de arquivos com base no nome do dispositivo para uma etiqueta de volume. Na etiqueta de volume, você pode usar todos os caracteres, exceto / e espaço.
Para obter nomes de dispositivos persistentes, use a opção de montagem , ou . No SUSE Linux Enterprise Server, os nomes de dispositivos persistentes estão habilitados por padrão.
Como a montagem por ID causa problemas no IBM System z quando se usa a cópia de disco para disco para fins de clonagem, por padrão, os dispositivos são montados por caminho em /etc/fstab no IBM System z.
Se você preferir montar a partição por etiqueta, precisará definir uma na entrada de texto . Por exemplo, você pode usar o rótulo de partição HOME para uma partição a ser montada em /home.
Se você pretende usar quotas no sistema de arquivos, use a opção de montagem . Faça isso antes de definir cotas para usuários no módulo do YaST. Para obter mais informações sobre como configurar cotas de usuários, consulte a Seção 12.3.4, “Gerenciando cotas”.
Selecione para gravar as mudanças.
Para redimensionar um sistema de arquivos existente, selecione a partição e use . Observe que não é possível redimensionar as partições que estiverem sendo montadas. Para redimensionar as partições, desmonte a partição relevante antes de executar o particionador.
Após selecionar um dispositivo de disco rígido (como ) no painel , você poderá acessar o menu na parte inferior direita da janela . O menu inclui os seguintes comandos:
Essa opção ajuda a criar uma nova tabela de partição no dispositivo selecionado.
Criar uma nova tabela de partição no dispositivo remove de forma irreversível todas as partições e seus dados do dispositivo.
Essa opção permite clonar o layout da partição do dispositivo (mas não os dados) em outros dispositivos de disco disponíveis.
Após selecionar o nome de host do computador (o nível superior da árvore no painel ), você poderá acessar o menu na parte inferior direita da janela . O menu inclui os seguintes comandos:
Para acessar a SCSI pelos dispositivos de blocos IP, primeiro configure a iSCSI. O resultado são dispositivos adicionalmente disponíveis na lista de partições principal.
A seleção dessa opção ajuda a configurar o aperfeiçoamento de multipath nos dispositivos de armazenamento em massa suportados.
A seção a seguir inclui algumas dicas e truques de particionamento que o ajudarão a tomar as decisões certas quando configurar o sistema.
Observe que diferentes ferramentas de particionamento podem começar a contar os cilindros de uma partição a partir de 0 ou de 1. Ao calcular o número de cilindros, use sempre a diferença entre o último e o primeiro número de cilindro e adicione um.
troca (swap) #A troca é usada para estender a memória física disponível. É possível então usar mais memória que a RAM física disponível. O sistema de kernels de gerenciamento de memória anterior a 2.4.10 precisava de troca (swap) como medida de segurança. Antes, se você não tinha o dobro do tamanho da sua RAM em troca, o desempenho do sistema era afetado. Essas limitações não existem mais.
O Linux usa uma página denominada “Usado Menos Recentemente” (LRU) para selecionar as páginas que podem ser movidas da memória para o disco. Portanto, os aplicativos em execução têm mais memória disponível e os trabalhos de armazenamento em cache são mais fáceis.
Se um aplicativo tentar alocar a memória máxima permitida, poderão surgir problemas com a troca. Há três cenários principais para avaliar:
O aplicativo obtém a memória máxima permitida. Todos os caches são liberados e, portanto, todos os outros aplicativos em execução ficam mais lentos. Após alguns minutos, o mecanismo de exclusão de memória vazia do kernel ativa e elimina o processo.
A princípio, o sistema fica mais lento como um sistema sem troca. Após a alocação de toda a RAM física, o espaço de troca também é usado. Nesse ponto, o sistema começa a ficar lento e fica impossível executar comandos remotamente. Dependendo da velocidade dos discos rígidos que executam o espaço de troca, o sistema fica nessa condição por cerca de 10 a 15 minutos até o mecanismo de exclusão de memória vazia resolver o problema. Observe que você precisará de certa quantidade de troca se o computador tiver que realizar uma “suspensão para o disco”. Neste caso, o tamanho da troca deve ser grande o suficiente para incluir os dados necessários da memória (512 MB – 1GB).
Nesse caso, é melhor não ter um aplicativo que esteja fora de controle e com troca excessiva. Se usar um aplicativo assim, o sistema precisará de muitas horas para se recuperar. No processamento, é provável que outros processos esgotem o tempo de espera e obtenham falhas, deixando o sistema em estado indefinido, mesmo depois de terminar o processo com falha. Nesse caso, faça uma reinicialização da máquina física e tente colocá-la em execução de novo. O grande número de trocas (swaps) só será útil se você tiver um aplicativo que dependa desse recurso. Esses aplicativos (como bancos de dados ou programas de manipulação de gráficos) normalmente têm uma opção para usar diretamente o espaço do disco rígido para suas necessidades. Convém usar essa opção em vez de muitos espaços de troca (swap).
Se o sistema não está fora de controle, porém precisar de mais troca após algum tempo, é possível estender o espaço de troca online. Se você preparou uma partição para um espaço de troca, adicione-a com o YaST. Se você não tiver uma partição disponível, também poderá usar um arquivo de troca para estender a troca. Os arquivos de troca são geralmente mais lentos que as partições, mas comparados à RAM física, ambos são extremamente lentos, logo a diferença real é insignificante.
Para adicionar um arquivo de troca (swap) no sistema em execução, faça o seguinte:
Crie um arquivo vazio no sistema. Por exemplo, se quiser adicionar um arquivo de troca (swap) com quantidade de troca (swap) de 128 MB em /var/lib/swap/swapfile, use os comandos:
mkdir -p /var/lib/swap dd if=/dev/zero of=/var/lib/swap/swapfile bs=1M count=128
Inicialize o arquivo de troca (swap) com o comando
mkswap /var/lib/swap/swapfile
Ative a troca (swap) com o comando
swapon /var/lib/swap/swapfile
Para desabilitar esse arquivo de troca (swap), use o comando
swapoff /var/lib/swap/swapfile
Verifique os espaços de troca (swap) atuais disponíveis com o comando
cat /proc/swaps
Observe que neste ponto, é apenas um espaço de troca temporário. Após a próxima reinicialização, ele não será mais usado.
Para habilitar esse arquivo de troca (swap) permanentemente, adicione a seguinte linha a /etc/fstab:
/var/lib/swap/swapfile swap swap defaults 0 0
No , acesse a configuração do LVM clicando no item no painel . No entanto, se já existir uma configuração do LVM de trabalho no sistema, ela será automaticamente ativada após inserir a configuração do LVM inicial de uma sessão. Nesse caso, todos os discos com uma partição (pertencentes a um grupo de volume ativado) não podem ser reparticionados. O kernel do Linux não pode ler novamente a tabela de partição modificada do disco rígido quando há alguma partição desse disco em uso. Se você já tem uma configuração de LVM funcionando no sistema, não será necessário o reparticionamento físico. Em vez disso, mude a configuração dos volumes lógicos.
No início dos volumes físicos (PVs), as informações sobre o volume são gravadas na partição. Para reutilizar tal partição para outros propósitos não relacionados ao LVM, é aconselhável apagar o início desse volume. Por exemplo, no system do VG e em /dev/sda2 do PV, faça o seguinte com o comando dd if=/dev/zero of=/dev/sda2 bs=512 count=1.
O sistema de arquivos usado para inicialização (sistema de arquivos raiz ou /boot) não deve ser armazenado em um volume lógico do LVM. Em vez disso, armazene-o em uma partição física normal.
Para obter mais detalhes sobre LVM, consulte o Storage Administration Guide.
Esta seção descreve resumidamente os princípios por trás do Gerenciador de Volumes Lógicos (LVM) e seus recursos para várias finalidades. Na Seção 15.2.2, “Configuração do LVM com o YaST”, aprenda como configurar o LVM com o YaST.
O uso do LVM é algumas vezes associado a um risco mais elevado, como perda de dados. O risco também inclui falhas de aplicativo, de energia e em comandos. Grave os dados antes de implementar o LVM ou reconfigurar volumes. Nunca trabalhe sem backup.
O LVM permite uma distribuição flexível do espaço do disco rígido em vários sistemas de arquivos. Ele foi desenvolvido porque, às vezes, a necessidade de mudar a segmentação do espaço no disco rígido surge logo após a realização do particionamento inicial. Como é difícil modificar partições em um sistema em execução, o LVM fornece um pool virtual, ou seja, VG (Volume Group — Grupo de Volume) de espaço em memória com base no qual os LVs (Logical Volumes — Volumes Lógicos) podem ser criados conforme o necessário. O sistema operacional acessa esses LVs, em vez de acessar as partições físicas. Os grupos de volume podem ocupar mais de um disco, de forma que vários discos ou partes deles possam constituir um único grupo de volume. Dessa forma, o LVM oferece um tipo de abstração do espaço em disco físico, permitindo que a segmentação seja modificada de maneira muito mais fácil e segura do que no reparticionamento físico. É possível encontrar outras informações sobre o particionamento físico na Seção 15.1.1, “Tipos de partição” e naSeção 15.1, “Usando o particionador do YaST”.
Figura 15.3, “Particionamento físico versus LVM” A compara o particionamento físico (esquerda) com a segmentação do LVM (direita). Do lado esquerdo, um único disco foi dividido em três partições físicas (PART), cada uma com um ponto de montagem (MP) atribuído para que o sistema operacional possa obter acesso. Do lado direito, dois discos foram divididos em duas e três partições físicas cada. Foram definidos dois grupos de volume (VG1 e VG2) do LVM. O VG1 contém duas partições do DISCO 1 e uma do DISCO 2. O VG2 contém as duas partições restantes do DISCO 2. No LVM, as partições físicas do disco incorporadas a um grupo de volume são chamadas de PVs (physical volumes — volumes físicos). Dentro dos grupos de volume, quatro volumes lógicos (LVs) (LV 1 a LV 4) foram definidos. Eles podem ser usados pelo sistema operacional por meio dos pontos de montagem associados. A fronteira entre os diferentes LVs não precisa estar alinhada com as fronteiras das partições. Veja a fronteira entre LV1 e LV2 neste exemplo.
Recursos do LVM:
Vários discos rígidos ou partições podem ser combinados em um grande volume lógico.
Se a configuração for adequada, um LV (como /usr) poderá ser aumentado quando esgotar o espaço livre.
Com o LVM, é possível adicionar discos rígidos ou LVs no sistema em execução. No entanto, isso requer hardware hot pluggable (conectável a quente).
É possível ativar um "modo de distribuição" que distribua o fluxo de dados de um LV entre vários PVs. Se esses volumes físicos (PVs) residirem em discos diferentes, o desempenho de leitura e gravação será aprimorado, assim como no RAID 0.
O recurso de instantâneo permite backups consistentes (especialmente para servidores) do sistema em execução.
Com esses recursos, o LVM está pronto para computadores pessoais amplamente usados ou pequenos servidores. O LVM é perfeito para usuário com crescente estoque de dados (como no caso de bancos de dados, arquivos de música ou diretórios de usuário). Ele permite o uso de sistemas de arquivos maiores do que o disco rígido físico. Outra vantagem do LVM é a possibilidade de adicionar até 256 LVs. No entanto, trabalhar com o LVM é diferente de trabalhar com partições convencionais. Instruções e informações adicionais sobre a configuração do LVM estão disponíveis no HOWTO (Como Fazer) oficial do LVM, em http://tldp.org/HOWTO/LVM-HOWTO/.
O LVM versão 2 está disponível desde a versão 2.6 do Kernel, que possui compatibilidade retroativa com o LVM anterior e permite o gerenciamento contínuo de grupos de volume antigos. Ao criar novos grupos de volume, decida se vai usar o novo formato ou a versão com compatibilidade retroativa. O LVM 2 não requer qualquer patch de kernel. Ele usa o mapeador de dispositivos integrado ao kernel 2.6. Esse kernel suporta apenas o LVM versão 2. Portanto, ao mencionar o LVM, esta seção sempre fará referência ao LVM versão 2.
A partir da versão do Kernel 3.4, o LVM suporta o aprovisionamento dinâmico. O volume com aprovisionamento dinâmico dispõe de capacidade virtual e real. A capacidade virtual é a quantidade de armazenamento de volume disponível para o host. A capacidade real é a quantidade de armazenamento alocada a uma cópia de volume de um pool de armazenamento. Em um volume completamente alocado, as capacidades virtual e real são as mesmas. Em um volume com aprovisionamento dinâmico, no entanto, a capacidade virtual pode ser muito maior que a capacidade real. Se o volume com aprovisionamento dinâmico não tiver capacidade real suficiente para uma operação de gravação, o volume será colocado offline e um erro será registrado.
Para obter mais informações gerais, consulte http://wikibon.org/wiki/v/Thin_provisioning.
A configuração do YaST LVM pode ser feita através do Particionador Técnico do YaST (consulte a Seção 15.1, “Usando o particionador do YaST”) no item do painel . O Particionador Técnico permite editar e apagar partições existentes e também criar partições novas que precisam ser usadas com o LVM. A primeira tarefa consiste em criar PVs que forneçam espaço para um grupo de volumes:
Selecione um disco rígido em .
Mude para a guia .
Clique em e digite o tamanho desejado do PV neste disco.
Use e mude o para . Não monte essa partição.
Repita esse procedimento até definir todos os volumes físicos desejados nos discos disponíveis.
Se não houver nenhum grupo de volume no sistema, adicione um (veja a Figura 15.4, “Criando um grupo de volume”). É possível criar grupos adicionais clicando em no painel e depois clicando em . Um único grupo de volume geralmente é suficiente.
Digite um nome para o VG, por exemplo, system.
Selecione o desejado. O valor define o tamanho de um bloco físico no grupo de volumes. Todo o espaço em disco no grupo de volume é trabalhado em blocos desse tamanho.
Adicione os PVs preparados ao VG, selecionando o dispositivo e clicando em . É possível selecionar vários dispositivos pressionando Ctrl e, ao mesmo tempo, selecionando os dispositivos.
Selecione para disponibilizar o VG para mais etapas de configuração.
Se tiver vários grupos de volume definidos e quiser adicionar ou remover PVs, selecione o grupo de volume na lista e clique em . Na janela a seguir, é possível adicionar ou remover PVs para o grupo de volume selecionado.
Depois que o grupo de volume for preenchido com PVs, defina os LVs que o sistema operacional usará na próxima caixa de diálogo. Escolha o grupo de volumes atual e mude para a guia . , , e LVs conforme necessário até todo o espaço no grupo de volume ser ocupado. Atribua pelo menos um LV a cada grupo de volumes.
Clique em e percorra o popup semelhante a um assistente que é aberto:
Digite o nome do LV. Para uma partição que deve ser montada em /home, é possível usar um nome como HOME.
Selecione o tipo de LV. Ele pode ser , ou . Observe que você precisa criar primeiro o pool dinâmico, que é capaz de armazenar volumes dinâmicos individuais.
Selecione o tamanho e o número de distribuições do LV. Se você tem apenas um PV, não é útil selecionar mais de uma distribuição.
A grande vantagem do aprovisionamento dinâmico é que a soma de todos os volumes dinâmicos armazenados no pool dinâmico pode exceder o tamanho do próprio pool.
Escolha o sistema de arquivos para utilizar no LV e também o ponto de montagem.
O uso de distribuições permite distribuir o fluxo de dados no LV entre vários PVs (distribuição). Entretanto, a remoção de um volume pode ser feita apenas por PVs diferentes, cada um fornecendo pelo menos a quantidade de espaço do volume. O número máximo de distribuições é igual ao número de PVs, em que Distribuição "1" significa "sem distribuição". Distribuir só faz sentido com PVs em discos rígidos diferentes; do contrário, o desempenho será reduzido.
O YaST não pode, até este ponto, verificar se as suas entradas estão corretas no que diz respeito à distribuição. Qualquer erro realizado aqui será mostrado somente mais tarde, quando o LVM for implementado em disco.
Se você já tiver configurado o LVM no sistema, os volumes lógicos existentes também poderão ser usados. Antes de continuar, atribua os pontos de montagem apropriados a esses LVs. Clique em para retornar ao Particionador Técnico do YaST e concluir seu trabalho.
A finalidade do RAID (redundant array of independent disks) é combinar várias partições de disco rígido em um disco rígido grande virtual para otimizar o desempenho e/ou a segurança dos dados. Grande parte dos controladores RAID usa o protocolo SCSI, pois ele pode trabalhar com um grande número de discos rígidos de maneira mais eficiente que o protocolo IDE. É também mais adequado para o processamento de comandos paralelos. Algumas controladoras RAID suportam discos rígidos IDE ou SATA. O RAID de software fornece as vantagens de sistemas RAID sem o custo adicional de controladoras RAID de hardware. Entretanto, exige algum tempo da CPU e possui mais requisitos de memória que o tornam inadequado para computadores de alto desempenho.
Com o SUSE® Linux Enterprise Server, é possível combinar vários discos rígidos em um sistema soft RAID. O RAID envolve várias estratégias de combinação de diversos discos rígidos em um sistema RAID, cada uma com diferentes metas, vantagens e características. Essas variações geralmente são conhecidas como níveis de RAID.
Os níveis de RAID comuns são:
Esse nível melhora o desempenho do acesso aos dados dividindo blocos de cada arquivo entre várias unidades de disco. Na verdade, não é realmente um RAID, pois ele não dispõe de backup de dados, mas o nome RAID 0 para esse tipo de sistema normalmente é usado. Com o RAID 0, dois ou mais discos rígidos são unidos em um pool. O desempenho é aprimorado, mas o sistema RAID é destruído e seus dados são perdidos quando há falha mesmo em um único disco rígido.
Esse nível fornece a segurança adequada para seus dados, porque eles são copiados para outro disco rígido 1:1. Isso é conhecido como espelhamento de disco rígido. Se um disco é destruído, a cópia de seu conteúdo fica disponível em outro disco. Todos os discos, exceto um, podem ser danificados sem colocar os dados em risco. No entanto, se o dano não for detectado, os dados danificados poderão ser espelhados no disco íntegro. O resultado também pode ser a perda de dados. O desempenho de gravação é afetado no processo de cópia comparado ao uso do acesso a disco único (10 a 20% mais lento), mas o acesso de leitura fica significativamente mais rápido comparado a qualquer um dos discos rígidos físicos normais. O motivo é que os dados duplicados podem ser verificados em paralelo. Em termos gerais, é possível dizer que o Nível 1 proporciona quase o dobro de taxa de transferência de leitura dos discos únicos e quase a mesma taxa de transferência de gravação dos discos únicos.
RAID 5 é uma conciliação otimizada entre o Nível 0 e o Nível 1, em termos de desempenho e redundância. O espaço em disco rígido é igual ao número de discos usados menos um. Os dados são distribuídos pelos discos rígidos da mesmo forma que no RAID 0. Os Blocos de paridade, criados em uma das partições, existem por motivos de segurança. Eles são vinculados uns aos outros com XOR, o que permite que o conteúdo seja reconstruído pelo bloco de paridade correspondente no caso de uma falha do sistema. Com o RAID 5, apenas um disco rígido pode falhar por vez. Se um disco rígido falhar, ele deverá ser substituído assim que possível, para evitar o risco da perda de dados.
Para aumentar ainda mais a confiabilidade do sistema RAID, é possível usar RAID 6. Nesse nível, mesmo que haja falha em dois discos, a matriz ainda poderá ser reconstruída. Com RAID 6, no mínimo 4 discos rígidos são necessários para executar a matriz. Observe que, na execução como software raid, essa configuração precisa de uma quantidade considerável de tempo e memória da CPU.
Esta implementação de RAID combina recursos do RAID 0 e do RAID 1: os dados são primeiramente espelhados em matrizes de disco separadas, que são inseridas em uma nova matriz do tipo RAID 0;. Em cada submatriz RAID 1, um disco pode falhar sem danificar os dados. Um mínimo de quatro discos e um número par de discos são necessários para executar o RAID 10. Este tipo de RAID é usado para aplicativo de banco de dados em que se espera uma enorme carga.
Vários outros níveis de RAID foram desenvolvidos (RAID 2, RAID 3, RAID 4, RAIDn, RAID 10, RAID 0+1, RAID 30, RAID 50, etc.), sendo alguns deles implementações proprietárias criadas por fornecedores de hardware. Esses níveis não são muito comuns e, portanto, não são explicados aqui.
A configuração de do YaST pode ser obtida por meio do Particionador Técnico do YaST, descrito na Seção 15.1, “Usando o particionador do YaST”. Esta ferramenta de particionamento permite editar e apagar partições existentes e criar partições novas a serem usadas com o RAID por software:
Selecione um disco rígido em .
Mude para a guia .
Clique em e digite o tamanho desejado da partição RAID neste disco.
Use e mude o para . Não monte essa partição.
Repita esse procedimento até definir todos os volumes físicos desejados nos discos disponíveis.
Para o RAID 0 e o RAID 1, pelo menos duas partições são necessárias; para o RAID 1, geralmente apenas duas. Se for usado o RAID 5, pelo menos três partições serão necessárias; o RAID 6 e o RAID 10 exigem no mínimo quatro partições. É recomendável usar apenas partições do mesmo tamanho. As partições RAID devem estar localizadas em discos rígidos diferentes para diminuir o risco de perda de dados se um deles apresentar defeito (RAID 1 e 5) e para otimizar o desempenho do RAID 0. Após criar todas as partições a serem usadas com o RAID, clique em › para iniciar a configuração do RAID.
Na próxima caixa de diálogo, escolha dentre os níveis de RAID 0, 1, 5, 6 e 10. Em seguida, selecione todas as partições com o tipo “RAID Linux” ou “Linux nativo” que deve ser usado pelo sistema RAID. Não são exibidas partições do DOS ou de troca.
Para os tipos de RAID que levam em consideração a ordem dos discos adicionados, é possível marcar cada disco com uma das letras de A a E. Clique no botão , selecione o disco e clique em um dos botões , em que X é a letra a ser atribuída ao disco. Atribua todos os discos RAID disponíveis dessa forma e clique em para confirmar. É possível ordenar facilmente os discos classificados com os botões ou , ou adicionar um padrão de classificação de um arquivo de texto com .
Para adicionar uma partição anteriormente não atribuída ao volume RAID selecionado, primeiro clique na partição e, em seguida, em . Atribua todas as partições reservadas para o RAID. Caso contrário, o espaço na partição permanecerá sem uso. Após atribuir todas as partições, clique em para selecionar as disponíveis.
Nesta última etapa, defina o sistema de arquivos a ser usado, a criptografia e o ponto de montagem para o volume RAID. Após concluir a configuração com , verifique o dispositivo /dev/md0 e outros dispositivos indicados com RAID no particionador expert.
Verifique o arquivo /proc/mdstat para saber se uma partição RAID foi danificada. No caso de uma falha do sistema, encerre o sistema Linux e substitua o disco rígido danificado por um novo, particionado da mesma maneira. Depois, reinicie o sistema e digite o comando mdadm /dev/mdX --add /dev/sdX. Substitua 'X' por seus próprios identificadores de dispositivo. Isso integra o disco rígido automaticamente ao sistema RAID e o reconstrói totalmente.
Observe que, embora você possa acessar todos os dados durante a reconstrução, talvez ocorram alguns problemas de desempenho até a reconstrução completa do RAID.
Instruções de configuração e mais detalhes sobre o RAID de software podem ser encontrados nos HOWTOs, em:
/usr/share/doc/packages/mdadm/Software-RAID.HOWTO.html
As listas de correio do RAID do Linux estão disponíveis, como http://marc.info/?l=linux-raid.